MuSA

Multimídia, Sistemas e Arte

Manifestinho

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Há muito, muito tempo atrás, quando o mundo era uma criança – é isso, algo por volta de Novembro de 2008 – vários hackers, makers, estudantes de computação e outra pessoas que queriam fazer coisas bonitas começaram a olhar o mundo ao seu redor de uma nova maneira (para el@s).

El@s diziam – “Hey! – copinhos de café podem ser mais bonitos do que uma grande escultura. Programar para fazer música pode ser mais divertido do que programar um sistema de gestão. Metareciclar “lixo” eletrônico pode ser mais interessante do que jogá-lo fora.”.

E, quando eles viram isso, isso fez suas mentes ligarem. E eles começaram a fazer perguntas. Uma delas era: “Porque é que tudo que eu vejo que é bonito, como copos de café, “lixo” eletrônico, linguagens de programação, tem que ser utilizado ou feito apenas com o objetivo para os quais eles foram criados? Porque não posso usar copinhos de plástico como um mini amplificador? Por que não posso usar “lixo” eletrônico para criar uma instalação musical?

Quando eles faziam perguntas como essas, eles estavam inventando o MuSA, mas isso eles ainda não sabiam, porque MuSA era tipo um bebe que a Mãe e o Pai não sabiam como chamar, eles sabiam que aquilo estava lá, mas não tinha um nome.

Essas pessoas estavam espalhadas por todos os lados, fazendo suas coisas em seus cantos. Aos poucos elas foram conhecendo melhor umas às outras. El@s falavam diferentes linguagens e tinham nomes diferentes para o que estavam fazendo, mesmo quando el@s estavam fazendo a mesma coisa. Isso estava tudo misturado.

Uma dessas pessoas teve uma idéia, era colocar todas as pessoas juntas em um espaço onde el@s pudessem fazer o mesmo tipo de coisa. Isso precisava de um nome. Bom, inicialmente el@s escolheram um nome que identificasse o lugar e a forma del@s fazerem as coisas. Era Udesc Physical Computing. Mas havia um problema. Durante os primeiros dias isso pareceu uma boa ideia, mas com o tempo viram que o nome não expressava realmente o que queriam. O nome precisa ser forte, ter um sentido maior. Foi quando uma dessas pessoas disse para as outras “Musa, as entidades mitológicas a que são atribuidas capacidade de inspirar a criação artística ou científica”. Mas peraí, ainda falta alguma coisa, el@s pensaram. Precisamos atribuir um significado às letras do nome. Foi quando outro del@s disse “Multimídia, Sistemas e Arte”. E tod@s sentiram-se bem em estarem em baixo desse mesmo guarda-chuva.

Para fazer o MuSA ser conhecido, eles decidiram manter um meio de comunicação, um lugar onde podem colocar suas ideias e mostrar o seu jeito de fazer as coisas. Estava criado o musa.cc, endereço (su)virtual dessas pessoas, o ponto de encontro entre hackers, makers e cientistas de garagem.

El@s foram fazendo coisas juntos e foram aprendendo coisas novas uns com os outros. El@s foram utilizando de forma criativa a tecnologia, desmistificando o seu uso alienado e tentando quebrando a barreira do consumismo passivo.

O MuSA agora se tornava um organismo, algo que não pode mais ser descrito olhando-se seus membros de forma isolada. O MuSA são tod@s el@s, junt@s. Em muito pouco tempo o MuSA cresceu forte, estava começando a fazer coisas em outros lugares, aprendendo e ensinando com outros organismos. Esse era o processo natural das coisas, o organismo MuSA começava a se conectar com outros organismos, formando uma rede maior, de organismos que fazem coisas parecidas, de uma forma parecida.

Ainda existe muitas coisas bonitas a serem feitas a partir de agora, vamos fazendo elas juntos.

Este texto não foi baseado no texto A Child’s History of Fluxus.

Fluxus Manifesto, 1963, por George Maciunas
Fluxus Manifesto, 1963, por George Maciunas